Jejum

Então, chegaram ao pé dele os discípulos de João, dizendo: Por que jejuamos nós e os fariseus muitas vezes, e os teus discípulos não jejuam?

E disse-lhes Jesus: Podem porventura andar tristes os filhos das bodas, enquanto o esposo está com eles? Dias, porém, virão, em que lhes será tirado o esposo, e então jejuarão.

Ninguém deita remendo de pano novo em roupa velha, porque semelhante remendo rompe a roupa, e faz-se maior a rotura.

Nem se deita vinho novo em odres velhos; aliás rompem-se os odres, e entorna-se o vinho, e os odres estragam-se; mas deita-se vinho novo em odres novos, e assim ambos se conservam.(MT 9.14-17)


            Esta palavra Jejum, em geral significa não comer, abster-se da comida e é frequentemente utilizada no sentido de um ritual religioso. Jejuar então literalmente falando é abster-se de qualquer tipo de comida por determinado tempo, por um período limitado.

            Nas religiões pagãs jejuavam por medo de demônios, e ou para se encontrar com a divindade. O jejum fazia parte do ritual de preparação para tal encontro, como também para práticas de magias e mistérios. Observamos até hoje em algumas religiões que abrangência do jejum afeta até as relações sexuais, devido a ideia de que a abstinência sexual torna a pessoa mais pronta para receber poderes, dons e revelações; ideia essa que parece que o apóstolo Paulo compartilhava em algum sentido (1Cor 7:5). Ainda hoje em algumas religiões é muito exigido o jejum do iniciante principalmente. Esse assunto apesar de não estar tão em foco nos púlpitos, é importantíssimo para nossa pratica de fé. Compreender e praticar corretamente pode auxiliar na expressão de sua espiritualidade.

 

            No Antigo Testamento é facilmente percebido que jejuar representava a aflição da alma num ritual de purificação (Lv 16:29,31; 23:27,32; Nm 29:7; Is 58:3; Sl35:13; 69:10). Era o abster-se do pão e da água enquanto recebe ou busca ouvir a voz de Deus (Ex 34:28; Dt 9:9; Dn 9:3). Os indivíduos praticavam sempre que se sentiam oprimidos por espinhos e cuidados da vida. Davi orou e jejuou pelo filho de Betseba, enquanto estava vivo  (2Sm12:16-23); Acabe jejuou diante da sentença divina (1Rs 21:27). A nação inteira praticava diante do perigo iminente (2ª Cr 20:3; Et4:16; Jn3:4-10; Jz 4:9,13). Em conexão com luto (Jr 14:11-12) E estava sempre acompanhada da oração (Jr 14:11-12; Ne 1:4; Ed8:21,23). Em alguns casos perdurava de manhã até tarde (Jz20:26; 1Sm 14:24; 2Sm 1:12); mas sabemos de situações que durava três dias (Et4:16); Moisés perante o Senhor 40 Dias sem comer pão e beber água (Ex 34:28); em vários casos jejuava-se durante a tormenta, a aflição, a necessidade (109:24; 2Sm 12:16-23).

            Apesar de todas as considerações acima, perante a lei o judeu era ordenado a praticar jejum somente no dia da expiação (Lv 16:29-31; 23:27-32; Nm 29:7). Porém depois da destruição de Jerusalém foram determinados 4 dias de jejum em memorial (Zc. 7:3-5; 8:19). É triste o fato que a ideia do jejum como expressão de aflição da alma e quebrantamento sincero diante do Senhor, se perdeu para se tornar um ritual mecânico religioso, desassociado da vida, e isto, apesar dos profetas tentarem de todas as formas denunciarem esse esvaziamento de sentido (Is 58:37; Jr 14:12).

            No Novo Testamento não é diferente, pois sabemos que os fariseus e os discípulos de João tinham o jejum como pratica religiosa (Mc2:18). Em (Lc 2:37) fala de Ana viúva de 84 anos que não se afastava do templo e serviu a Deus com jejuns e oração. Porém a resposta de Jesus acerca da razão pelo qual seus discípulos não jejuavam traz uma nova dimensão para o tema. “E Jesus disse-lhes: Podem porventura os filhos das bodas jejuar enquanto está com eles o esposo? Enquanto têm consigo o esposo, não podem jejuar (Mc2:19). É possível verificarmos no ensino de Jesus que o jejum tem uma conotação direta com a tristeza, com aflição sincera da alma, e que por isto mesmo, é uma pratica profundamente superada com a presença do noivo. Portanto, a presença do messias com anuncio da iminência do reino de Deus, com a mensagem de boas novas de salvação pela graça gera uma alegria que exclui qualquer necessidade de jejum. Interpretação ratificada com associação do tema com a metáfora do remendo novo em pano velho, vinho novo em odres velhos (Mc 2:21-22). Porém não devemos pensar que o jejum perdeu seu valor prático como representação do quebrantamento, da aflição da alma. Pois Jesus ensina que: “Mas dias virão em que lhes será tirado o esposo, e então jejuarão naqueles dias (2:20) ”. Em (Mt 4:2) o próprio Jesus jejuou 40 dias e 40 noites. Em Mt 6:16-18 ele denuncia o jejum como ostentação hipócrita, mas não proíbe o jejuar, pelo contrário orienta que é um ato secreto para ser somente visto por Deus e que portando deve-se lavar o rosto e ungir a cabeça. Também afirma que certas castas de demônios só saem com jejum e oração (Mc 9:29; Mt 17:21). Em At 13:3; 14:23 está explícito que as orações eram acompanhadas do jejum como expressão de quebrantamento e sinceridade. Paulo em 2Co 6:5; 11:27 confessa praticar o jejum e de fato é facilmente notório que Paulo praticava o jejum (At 27:9).

            De forma alguma o Jejum é uma barganha; ele não é uma obra meritória, não é uma troca, é sim uma dedicação, que funciona como concentração de jogo de futebol, ele não é o jogo em si. O Jejum não tem poder em si, ele é um meio, que abri mão das coisas essenciais como comer e beber para aquilo que no momento é muito mais essencial e importante que é se alimentar de Deus, ter respostas de Deus. Jejum é o esvaziamento para ser cheio de Deus. Quando os discípulos perguntaram o porquê não conseguiram expulsar o demônio do jovem, a resposta foi “Esta casta não pode sair com coisa alguma, a não ser com oração e jejum” (Mc9:29); com isto muitos interpretam o jejum como algo em si, como instrumento meritório. Mas quando atentamos para denúncia do Cristo acerca da incapacidade dos discípulos de Expulsar tal demônio “Ó geração incrédula! Até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei ainda? Trazei-me” Mc  9:19). E também para sua afirmação ao pai do menino, dizendo:Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê. (MC 9:23). Concluímos que a questão é a fé e não o jejum para expulsar demônios. Jejum como a oração são os veículos que nos torna abertos e receptivos ao poder de Deus. Mas sem fé é impossível agradar a Deus (Hb11:6).

Conclusão

            Então podemos concluir afirmando que o Jejum deve ser praticado como isolamento, como silêncio, como retiro da rotina, aflição da alma, contemplativo, como quem quer ouvir a voz do alto, rendido e quebrantado, como quem diz: “Senhor tu és o alimento da minha alma, eu tenho fome e sede de ti”. Jejum é como fazer amor, exige dedicação, isolamento, ambiente inerente e integral. Assim como para se fazer amor com mulher o jejum deve-se fechar a porta do quarto e pratica-lo em secreto. Jejum só tem sentido se ele puder se alimentar de meditação, de oração e contemplação, é o abrir mão do comer terreno para se alimentar espiritual ao mesmo tempo que é uma demonstração de contrição e sinceridade diante do Altíssimo. Vivemos diante de tudo que estar acontecendo na sociedade e nas igrejas a necessidade de seguirmos os conselhos apostólico que diz: “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Alimpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai os corações.
Senti as vossas misérias, e lamentai e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo em tristeza. Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará. (Tg 4:8-10). E isto com muita orações e jejuns.

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