Desmistificando os Dízimos

Desde os dias de vossos pais vos desviastes dos meus estatutos, e não os guardastes; tornai-vos para mim, e eu me tornarei para vós, diz o Senhor dos Exércitos; mas vós dizeis: Em que havemos de tornar?
Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas.
Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, sim, toda esta nação.
Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes.
(Ml 3:7-10)


Dízimos no Antigo Testamento

Desmistificar significa romper com as ideologias, com os mitos, com as fábulas, significa romper com os condicionamentos. Já parou para pensar que a forma como você fala dos dízimos já está condicionada? Alguma vez na vida você procurou os textos da Bíblia que trata deste tema: “os dízimos”? O profeta Malaquias 3:10 é o mais citado e também o mais distorcido, porque antes dele falar do assunto ele aponta nos versículos anteriores onde ele se ampara que é na lei do Senhor, mas isso é pouco observado em nossas igrejas. Geralmente usamos Ml 3:8-10 e ignoramos o versículo sete. Na bíblia existem dois grandes pactos o primeiro que chamamos de Antigo Testamento (At) e o segundo popularmente chamado de Novo Testamento (Nt) ”. O At foi estabelecido no monte Sinai tendo Moisés como mediador. O profeta Malaquias está debaixo dessa dispensação a qual conhecemos como tempo da lei. Então superimportante é que o profeta tenha realmente amparado seu discurso na lei (no pacto) para que tenha credibilidade para o povo da fé. Então, observando o que ele diz em Ml 3:7 percebemos não apenas onde ele ta se amparando, mas também um chamado para que o povo olhe na mesma direção e volte a viver de acordo com pacto feito com Deus, ou seja, conforme os estatutos (a lei do Senhor). “Desde os dias de vossos pais vos desviastes dos meus estatutos, e não os guardastes; tornai-vos para mim, e eu me tornarei para vós, diz o Senhor dos Exércitos; mas vós dizeis: Em que havemos de tornar? Ml 3:7”. Com essa realidade a vista, bom seria se o pastor e/ou irmão sincero tivesse a coragem de romper com todos condicionamentos e aceitassem a convocação de Malaquias para fazer um mergulho na lei do Senhor e pesquisasse esse tema especifico dos dízimos a partir dela. Tendo em mente que desmistificar não é falar bem ou mal, não é fazer apologia ou tese contrária e sim romper com mitos, fábulas e heresias criadas sobre determinado tema, em nosso caso os dízimos. O apóstolo Paulo avisa que: “… virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.2º Tm 4.3-4.  Neste estudo você está tendo oportunidade de romper com os mitos, com as fábulas, com toda mentira transfigurada de fé e religiosidade, mas que escapam os princípios elementares em relação ao pacto dos dízimos na bíblia, a aliança com Deus. Então olhe para o mesmo lugar que o profeta olhou e nunca mais seja enganado. Neste trabalho vou apresentar o máximo de textos, tanto do At, quanto do Nt falando sobre o tema para que você leia e reflita com carinho a fim de manutenir sua fé em Cristo. Para simplificar e facilitar seu entendimento vou usar os mesmos textos para responder cinco perguntas que você será capaz de gravar e nunca mais se enganado.

Dízimos antes da lei

A primeira citação acerca do tema na verdade é uma referência antes da Lei (Gn14:18-20) Abraão que é o Pai da fé entrega os dízimos a Melquisedeque. Ainda em Gn temos no capítulo 28: 10-22 o voto de Jacó que promete que sendo bem-sucedido em seu empreendimento devolveria os dízimos coimo fruto do reconhecimento da soberania e gratidão a Deus. A importância destes textos é que nos mostram que o dízimo é anterior a lei de Moisés, da formação da nação de Israel. Que na verdade é um costume antigo observado por outras nações como Babilônia, Egito, Pérsia, Grécia etc.

  Dízimos na dispensação da lei

Importante comentar que nos textos da lei encontraremos algumas divergências que podem ser atribuídas as diversas fontes, tradições que cooperaram para composição do pentateuco e ou adaptação necessária da lei ao momento histórico do povo tipo caminhando no deserto, na terra prometida, regime tribal, monarquia, exilados etc.

  1. O que consiste em dízimos?

Lev 27.30 –  E consiste nos produtos da terra e do campo

  1. A quem devo apresentar os dízimos?

Lev 27.30 –  O dízimo pertence ao Senhor.

Nm 18.21-  Aqui os dízimos que pertence ao Senhor foi repassado aos levitas como herança já que está tribo não terá direito a terra. Porem também nenhuma outra tribo poderá ministrar no templo diante do senhor, somente a tribo sacerdotal que é os levitas. Os Levitas por sua devem ser ouvido e leva oferta alçada ao senhor e isto será os dízimos dos dízimos. Este dízimo dos dízimos também será repassado ao sumo-sacerdote Arão. Nunca mais os filhos de Israel poderão ministrar na tenda da congregação, nenhuma tribo poderá se aproximar para os serviços do santuário, essa tarefa se tornou exclusiva da tribo de Levi.

  1. Onde devo apresentar os dízimos?

Dt 12.1-19 O povo de Israel deve derrubar todos os altares que encontrar na terra que o Senhor vai estabelece-los, porque o Senhor é quem vai determinar o único lugar onde poderá ser adorado, para ali fazer habitar seu nome. Então surge uma questão tendo em vista que são 12 tribos e em nenhum lugar poderá ser levantado altares a não no único que o senhor vai mostrar. Sendo os dízimos produtos da terra e do campo como levar tão distante? Então o senhor resolve essa questão permitindo que caso o lugar seja distante e os dízimos difícil de carregar, poderá ser trocado dízimo por dinheiro e quando chegar no local determinado pelo Senhor para apresentar os dízimos, “E aquele dinheiro darás por tudo o que deseja a tua alma, por vacas, e por ovelhas, e por vinho, e por bebida forte, e por tudo o que te pedir a tua alma; come-o ali perante o Senhor teu Deus, e alegra-te, tu e a tua casa; Dt 14:22-26”. Resolvido a questão quanto a forma de apresentar os dízimos, necessário se faz esclarecer qual foi de fato o lugar que Deus escolher para ali fazer habitar seu nome. De todos os lugares não poderá ser em outro local,  a não ser em Jerusalém 2º Cr 6.5-6.

  • Dízimos dos Pobres

Ao fim de três anos tirarás todos os dízimos da tua colheita no mesmo ano, e os recolherás dentro das tuas portas; Então virá o levita (pois nem parte nem herança tem contigo), e o estrangeiro, e o órfão, e a viúva, que estão dentro das tuas portas, e comerão, e fartar-se-ão; para que o Senhor teu Deus te abençoe em toda a obra que as tuas mãos fizerem. Deuteronômio 14.28-,29

  Qual objetivo dos dízimos?

O povo de Deus não deve mais ter dúvida que segundo a bíblia os dízimos visam a justiça social, pois funciona como solidariedade, inclusão social, comunhão familiar, comunhão com Senhor. Expressão de gratidão quanto ao cuidado amoroso de Deus e reconhecimento da sua soberania. Documentação de fé e fidelidade no exercício do temor do Senhor. Então o dízimo é a expressão em fé de amor a Deus e ao próximo.

  1. O que a pratica dos dízimos gera em mim?

No coração de quem celebra os dízimos de forma bíblica gera o rompimento com egocentrismo, revela uma alma generosa, solidaria e cheia de fé que reconhece a soberania de Deus e por isso mesmo é grata.

 

Conclusão Dízimo no (AT)

             Levando todas essas informações acima é compreensível a atitude do rei Ezequias em 2ª Cr 30 que no avivamento purifica e organiza os Levitas e chama o povo a Jerusalém fazendo tudo conforme a lei de Moisés. Neemias age da mesma forma em Ne 10. Também é compreensível o câmbio em Jerusalém possibilitando a troca de mercadorias em dinheiro, porém o que Jesus encontrou não tinha nada a ver com a fé, e sim manipulação da graça.

Lendo agora Malaquias a luz de toda informação acima com certeza terá uma maior possibilidade de entender o profeta.  Malaquias exerceu seu ministério provavelmente nos anos 480-450 antes de Cristo, o povo tinha voltado do exílio. Argeu e Zacarias incentivaram a Zorobabel e os Anciãos a retomarem a construção do templo, mas com passar do tempo o desanimo e a prevaricação predominaram em todo Israel e isto refletiu na vida cúltica e na ética. O culto desassociado da vida moral. Neste momento de caos surge profeta Malaquias colocando sacerdotes e leigos cada um segundo suas responsabilidades perante a lei do Senhor. Então fica evidente a distorção que o povo da fé cristã promove ignorando o ministério de Malaquias como profeta de avivamento. Nenhum pastor tem autoridade bíblica para usar Malaquias a fim de chamar o povo de ladrão. Pois Malaquias fala sob a lei de Moisés e a preocupação é com mantimentos, solidariedade aos órfãos, a viúva, os estrangeiros e com a manutenção dos serviços do santuário (levitas). Em Malaquias a prosperidade bíblica está intrinsicamente liga com uma vida solidaria, grata que reconheça a soberania de Deus e não com barganhas desassociadas do arrependimento ao Reino de Deus. Veja que Dt 14:28-29 é único lugar que o dízimo está associado pela lei mosaica a promessa de prosperidade. Malaquias como profeta fez e falou tudo conforme a lei de Moisés. Fica claro a semelhança e evidente a associação de Ml 3:5-10 com Dt 14.28-29.

Dízimos no Novo Testamento

                   Quando pensamos nos dízimos a luz do antigo testamento podemos facilmente responder perguntas tais como: A quem pertence? O que é o dízimo? Em que qual lugar deve ser apresentado? Qual objetivo? O que gera no coração de quem celebra? Porém essas respostas nos dão base para respondermos outras questões igualmente importantes no novo testamento. Jesus recebeu dízimos e porquê? Para uma visão bem esclarecedora dos dízimos no novo testamento deve–se ler a carta aos hebreus principalmente os cap. 7-10.

Nas cartas aos Hebreus 7 o autor vai nos mostrar a mudança do sacerdócio, da ordem levítica para ordem de Melquisedeque e nos ensinar que mudando o sacerdócio necessariamente muda-se a lei. Abrão que é o patriarca da nação de Israel, entregou os dízimos a melquisedeque como consta em Gn 14.18-20; e com isto reconhece a superioridade da ordem de Melquisedeque, pois em Abraão até Levi que é tribo sacerdotal responsável de cobrar os dízimos da nação, pagou os dízimos a Melquisedeque. Diante disso a nova aliança é fundada numa ordem sacerdotal superior que é de Melquisedeque. E Jesus és o mediador desta aliança se tornando sacerdote eterno na ordem de Melquisedeque não segundo mandamento da lei carnal, pois terrenamente Ele era de Judá e não da tribo de Levi, mas foi estabelecido segundo a virtude de uma vida incorruptível. Sendo assim entendemos que para a fé cristã a ordem levítica predominou de Moisés a Malaquias. Em Jesus temo um novo sacerdócio e uma nova aliança. Logo é simples afirmar que Jesus não cobrou os dízimos, Pois não era levita sim da tribo de Judá. E muito menos um Judeu em sua sã consciência pagaria os dízimos fora de Jerusalém e a quem não era Levita. Cristo nos libertou da maldição da lei (Gl 3:13); também afirma “Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada.
(Gl 2:16). Não estamos debaixo da lei, muito menos debaixo da lei dos dízimos. Simples assim e isto conforme o evangelho.

Jesus é o nosso sumo sacerdote assentado nos céus a destra do trono de Deus. E o único mediador de uma nova aliança Hb 8.1-13. “ Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem. (1ª Tm 2:5)”. No entanto em cristo todos que abraçam a fé e não apenas o pastor são sacerdotes 1ºPd 2:9. Então em cristo segundo a lei de dons e ministérios somos chamados a exercer funções 1º Cor12.

Tratar a contribuição seja com qual nome for na igreja como se fosse o dízimo de Malaquias é colocar os irmãos debaixo da lei e ainda em pecado pois estariam infligindo regras fundamentais da lei mosaica tais como a lei do lugar a ser apresentado que é em Jerusalém, o fato de não sermos da tribo de Levi, os dízimos dos pobres e etc.

Jesus e os dízimos

                   Evidentemente que Jesus não cobrou os dízimos e muito menos um Judeu pagaria dízimos a alguém que não era da tribo de Levi e que não pudesse ministrar sobre o altar. O que pode se afirmar com segurança é que ele viveu da gratidão conforme Lc 8:1-3. Alguém pode tentar argumentar que Jesus falou sobre dízimos em Mt 23:23, sim ele falou é verdade, mas é importante observar que ele começa o capitulo Mt23:1-2 falando aos discípulos se referindo aos fariseus que estão assentados na cadeira de Moisés, mas não vivem conforme o que ensinam, ou seja, Jesus denuncia a hipocrisia dos fariseus e como o assunto é sobre  a lei de Moisés natural que ele inclua os dízimos em sua denúncia entre outros temas, mas nota-se que ele não ministrou, não instruiu, nem instituiu como realidade que deve ser abraçada por todos, ele apenas citou os dízimos entre outros temas para denunciar a hipocrisia dos fariseus e não par instruir os discípulos a pagar. Quando Jesus fala em dinheiro ele afirma que o filho do homem não tem onde reclinar a cabeça (Mt 8). Ele pede para o jovem dividir com os pobres e com isso desafiando a não ter o dinheiro como fundamento (Mt 19.16-30). Em Mt 17.24-27 ele ensina que os filhos estão livres dos impostos. Quando ele fala do juízo final ele fala que o critério é essa capacidade de romper com egocentrismo e se colocar no lugar do outro pois ele está no outro, no caído, no preso, no necessitado Mt 25.31-46. Quando Jesus fala de dinheiro aponta para solidariedade, para gratidão, para compaixão. Porém ele alerta onde está seu tesouro estará seu coração M.19-21 e afirmar a impossibilidade de servir a dois senhores a Deus ou Mamom, ou seja, as riquezas, e assim Jesus coloca o dinheiro como uma entidade capaz de dominar o coração do homem. Para o Cristo o dinheiro tem de estar a serviço do amor e da igualdade. Ele nos convida a confiar no amor providencial de Deus dizendo olhai para os pardais, para os lírios do campo Mt 6.25-34.

Paulo e os Dízimos

                    Quando Paulo em 1ªCor 16 solicita que a igreja de Coríntios, faça uma vez por semana uma coleta para os santos em Jerusalém, ele não estabelece taxa, nem dízimos; não determina uma quantia, o valor é conforme cada um estabelecer no coração. Paulo invoca a consciência, a solidariedade, o compromisso em fé com o corpo de Cristo espalhado na terra. Importante também é verificarmos quem são esses santos em Jerusalém om quem Paulo se preocupa ao ponto de solicitar pelas igrejas uma coleta de amor. Em atos 11.27-30; verificamos que por profecia s=foi diagnosticado período de fome na Judéia, ai os discípulos decidiram solicitar ajuda de todos os irmão por intermédio de Paulo e Barnabé. Em 1ª Co 8 e 9 Paulo se refere aos santos que estão na pobreza em Jerusalém. Mais claro fica essa questão lendo Rm 15.25-26. Então é uma trágica distorção barganhar com a fé e a dor alheia ensinando lei da semeadura se utilizando abruptamente de 1ª Cor 8 e 9 que trata do drama dos pobres de Jerusalém. Então fica defendido que quando Paulo pede dinheiro ele está em acordo com os demais discípulos e a finalidade não é o bolso, mas socorrer os irmãos em dificuldade em Jerusalém. Portanto, já sabemos que jesus viveu da gratidão Lc 8. 1-3.

Conclusão

                 Então concluímos que o verdadeiro cristão estabelecido numa nova aliança é chamado a transcender a ideia legalista do dízimo. Dízimo é pensar legalista, é pensar pequeno, é avareza, o discípulo de Jesus não mede esforços, nem estabelece com mediocridade e sim em amor sua colaboração.  A contribuição para fé cristã é a documentação de fidelidade, de compromisso missionário, é a expressão da gratidão e do reconhecimento da soberania de Deus. O verdadeiro crente é quem dá com alegria. Na expressão de amor a Deus e ao Próximo. Entendendo que tanto no At quanto no Nt o que Deus quer construir no coração humano é um coração grato, cheio de fé, generoso, que reconheça a soberania Dele em expressão de amor sobre todas as coisas e da mesma forma ame seu próximo como a si mesmo. Sendo assim não importando o nome que você queira dar a sua contribuição, sendo feita em amor e fé, é uma benção na vida de todo cristão.

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