Igreja

 

Disse-lhes ele:

E vós, que dizeis que eu sou? ”

 (Mt16:15-18)

 Após ouvir dos seus discípulos sobre o que o povo falava acerca dele, Jesus ouve de Pedro a seguinte declaração “Tu és o Cristo o filho do Deus vivo” (Mt 16. 16). Em resposta a esta declaração Jesus revela seu interesse e fundamento em instituir a igreja: “Sobre está pedra (declaração de Pedro) edificarei a minha igreja” (Mt 16. 18). Sendo assim podemos afirmar que a igreja é fruto do interesse do próprio Deus. É uma instituição que nasceu no coração de Jesus e pode ser conceituada da seguinte forma: Igreja é um grupo de pessoas que se reúnem por acreditar que Jesus é o Cristo filho do Deus vivo. E isto vai além das fronteiras institucionais e denominacionais. E não deve ser confundido por aquilo que é instituído pelo homem. Igreja é o reino de Cristo na terra e manifesta-se como a continuação de sua obra. Portanto, deve ficar claro que a igreja é fruto do interesse do próprio Cristo.

  1. Igreja, um projeto de Deus

Analisando os evangelhos no que diz respeito aos atos e as palavras de Jesus se percebe que era desejo Dele reunir, organizar e estabelecer uma nova comunidade, um novo povo, “o verdadeiro Israel de Deus”, preparando para o reinado de Deus. Essas ideias ficam explicitas especialmente quando Jesus se apresenta como o noivo (Mt 9. 15), ideia essa, que é reforçada pelas palavras de João (Jo 3. 27-29), mas também quando conta a parábola do banquete de casamento (Mt 22. 1-10), quando fala do templo a ser construído (Jo 2. 19-21), da pedra fundamental (Mt 16. 13-19), sobre o alicerce e a pedra angular (Mt 21. 42-44), ideia essa que foi compreendida e proclamada pelos apóstolos (1 Co 3. 11; Ef 2. 20-22; 1 Pd 2. 2-7). As próprias maneiras de Jesus agir revelam a sua intenção de fundar uma comunidade em torno de si, à escolha dos doze (Mc 3. 13-19), o comissionamento dos discípulos (Mt 10), a alimentação dos cincos mil (Mt 14. 13-21), a instituição da eucaristia (Lc 22. 19), a oração sacerdotal (Jo 17) etc.

  1. Cristo e a Igreja

Além de ter a intenção de fundar uma nova comunidade Jesus deixa explícito qual deve ser a relação dele com essa comunidade (Igreja). Com a parábola da videira (Jo 15. 1,2,4,5) fica claro que Ele se vê, como a fonte de vida e força para a igreja. Com a parábola do pastor e o rebanho (Jo 10. 7-11, 14,16) como a proteção da igreja. Jesus vê a igreja como o santuário dedicado a Deus, sendo ele mesmo o alicerce e a pedra angular (Mt 21. 42-44). Sendo assim podemos afirmar que a relação da Igreja com Cristo é indissolúvel, a Igreja só é um corpo vivo conectado a cabeça que é o próprio Cristo. Nele, ela é a coluna da verdade (1 Tm 3. 15).   Dessa mesma fé e compreensão participam os apóstolos, como por exemplo: Pedro vê a igreja como Pedra viva, casa espiritual somente por causa de Jesus (1 Pd 2. 4-5). Ele também entende que Jesus é o pastor do rebanho (1 Pd 2. 25). Paulo entende como a cabeça (Rm 12. 4;5; 1Co 12. 12,27; Ef 1. 22,23; 4. 15; 5. 29, 30; Cl 1.18) e como alicerce e pedra angular (1Co 3. 11).

  1. Igreja, comunhão criada pelo Espírito Santo.

A Igreja como um projeto de Deus, se caracteriza como uma comunidade que crê que Jesus é o Cristo Filho do Deus vivo(Mt 1.13-19). Ela é importante para o cristão individual tanto no começo da fé, quanto para manutenção dela, pois a igreja é a coluna e esteio da verdade (1ºTm 3.15). Ter uma boa relação com a comunhão criada pelo Espírito Santo é no mínimo fundamental (1Cor. 12.1-11). Para apóstolo Paulo a igreja é o corpo de Cristo e todos nós fomos batizados nele em um só corpo (1ºcor 12.12-13). Portanto ninguém deve se excluir ou ser excluído dele, pois é Deus que estabelece e ordena o corpo (1cor 12-14-27). Se a igreja é a comunhão criada pelo Espírito Santo, coordenada e estabelecida por Deus, o domínio do Cristo na terra, é coerente pensar que Jesus reina em seu corpo e não fora dele. Ele é o cabeça da igreja que é o seu corpo, que cresce somente quando ajustado e consolidado pelo auxílio de todas as juntas (Ef 4.15-16). Ela é um organismo vivo conectado a Ele (1ºCor 1, 27; Rm 12,5). De tal forma que não participar da comunhão do corpo é estar negligenciando o domínio de Cristo. Sendo assim só há uma sentença: “Não há vida em Cristo fora da Igreja” que é o seu domínio, ele não é o salvador e senhor de quem não possa controlar, de quem não se submete aos seus desígnios (Fp 2.9-11), e nisso não adianta ter zelo (Rm 10.1-3). Não basta ter fé, tem que participar: Mas o posicionamento da igreja no mundo deve levar em consideração três questões:

3.1 A prioridade da igreja é o Evangelho – A igreja como coluna da verdade (1ºTm 3.15); deve defender que o verdadeiro tesouro é o evangelho da graça de Deus (2ªCor 4.5; Ef 2.8-9). Não existe dois evangelhos e sim a falsificação do mesmo (Gl.l.6-9). A graça de Deus, deve ser de Deus (2ªCor5.18). Sendo assim, não pode ser instrumento de barganhas e indulgencias. (2º Cor 2.17). A igreja não pode se tornar um fim em si mesma. O Evangelho constitui a igreja e não igreja ao evangelho.

3.2 A igreja é invisível – Ela se estende tanto no tempo, quanto no espaço, ela não está presa a nenhuma cidade, pessoa ou época. Seu fundamento é a eleição divina, revelada em Jesus. Ela é atestada pelas sagradas escrituras. A igreja não constitui a palavra de Deus, mas a palavra constitui a igreja. Sua invisibilidade deriva do fato de que a própria fé é invisível (Hb11.1). Assim podemos afirmar que ela não é uma assembleia física, mas uma reunião de corações em uma única fé. E também porque o próprio Senhor afirma que ela não terá endereço, ninguém poderá dizer ei-lo aqui ou ei-lo ali (Mt 13.21; Lc 17.21).

3.3 A igreja é oculta – Embora clara para Deus, a igreja está oculta para o mundo. “Aos olhos da fé a igreja é uma instituição divina, ela é a noiva, a princesa, éo corpo de Cristo. Mas aos olhos do mundo, ela não é vista assim e é cercada de inimigos poderosos. O caráter oculto da igreja se refere inclusive a sua santidade. A igreja é composta ao mesmo tempo de santos e pecadores, hipócritas e cristãos devotos, joio e trigo. A pureza da igreja não estar sujeita a exames, nem depende de qualificações morais dos membros ou dos ministros (2º Cor 5.16-17). “Nossa santidade está nos céus, onde cristo está; não no mundo perante os olhos dos homens, como um produto do mercado. Portanto a verdadeira igreja nunca deixou de existir, pois onde houver dois ou três, ali cristo estará (Mt 18.20).

 

CONCLUSÃO

Portanto podemos afirmar que a Igreja é uma comunidade que crê que Jesus é o Cristo, e que foi fundado por Ele (Mt 16. 18) para ser a continuação da sua obra, ela é mesmo o domínio de Cristo na terra e que por isto deve ter uma relação indissolúvel. Em Cristo ela é a coluna da verdade (1 Tm 3.15). Entendendo que Jesus proclamou o Reino de Deus, podemos definir a Igreja como uma comunidade de fé a serviço do Reino de Deus. Ser o instrumento de Deus na implantação do seu reino é a missão da Igreja. Daí nos que fomos chamados a ser “igreja” só temos uma opção que é seguir os conselhos bíblicos: “…Apresentai-vos como sacrifício vivo… e não vos conformeis…” (Rm 12. 1-2); e o de resplandecer a nossa luz (Mt 5. 13-16).

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