A Ceia do Senhor

A CEIA DO SENHOR

“E perseveravam nas doutrinas dos apóstolos, e na comunhão,

e no partir do pão, e nas orações.” (At 2:42)

 

Nas religiões antigas, a ideia prevalente, é de que no ato de comer e beber recebiam uma participação no poder divino, era um ato que representava sua união com a divindade.  Isto porque antigamente a refeição era vinculada com conceitos mágicos, onde o divino se concretiza em coisas materiais. Para eles a divindade outorgava poder a quem participava das refeições, pois a própria divindade estava contida nas plantas. Logo, nada havia que possibilitava mais a união entre divindade e os homens, do que o comer e beber. O participante acredita que estava sentado à mesa do Senhor.  De fato, a ceia é para a fé cristã uma expressão da presença amorosa da graça divina onde Deus em Cristo nos chama a pertença e a comunhão Nele, ou seja, pertencer a comunidade do povo de Deus.

  1. No Antigo Testamento

No Antigo Testamento, as festas, os sacrifícios e até mesmo os dízimos se vinculavam as refeições religiosas: “Comendo diante do Senhor e se alegrando Dt 12:1-7; Ex. 18.12; 24.11”.

Também temos informações de que a refeição não se limitava tão somente as questões religiosas, mas também, tinha sua importância em assuntos seculares. Ex: após a conclusão de uma aliança (Gn 20.26-30; Gn 31.46,54); firmar pacto do rei com povo (1ªRs 1:25); outorgar perdão (2Sm 9.7; 2ªRs 25.27-30); era considerado detestável quebrar a comunhão da mesa (Sl 41.9; Mc 14:18). O banquete de Isaias 25.6-9 por conta do véu rasgado é vinculado a ceia do Senhor e é comumente chamado de banquete escatológico. A refeição da páscoa teve sua origem no período nomádico (Ex. 12:5-9); e depois deveria ser comido em Jerusalém (Dt 16:5-7; 2ª Rs 23:21-23).

  1. No Novo Testamento

No novo testamento a instituição da ceia nos foi transmitida em quatros formas (Mc 14.22-25; Mt 26.26-29; Lc22:14-20; 1ªCor11:23-25). Além do registro quádruplo da ceia, devemos considerar uma explanação de Paulo em (1ª Cor 10. 14-22). O retrato que temos da igreja primitiva é que: E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. ” Atos 2:42. Sendo assim podemos afirmar que era uma igreja da palavra, da oração e sacramental, uma igreja que entendeu a importância e não era displicente em celebrar (At 2.42, 46, 20:7,11; Jo 6.51-58).

A ceia do Senhor na igreja primitiva, tem algum relacionamento com as narrativas acerca da comunhão de Jesus, discípulos e publicanos e pecadores (Mt 9:9-13; Mc 2:13-17; Lc 5. 27 -32; 15.1-2) e com as narrativas dos cinco mil que foram alimentados (Mt 15:32-39; Mc 6;30-44; Lc 9:10-17; Jo 6: 1-13), e dos quatros mil (Mt 15:32-39; Mc8;1-10). Mas a conclusão que temos é que Jesus ao chegar para eles, e ao comer e beber com eles, trouxe-lhes a presença misericordiosa de Deus, o perdão dos pecados.

Há também a necessidade de considerarmos a ceia do Senhor em conexão com as refeições que ocorriam na ocasião dos aparecimentos de Jesus depois da páscoa (At 10.41; Lc 24:30-31, 35,43; Jo 21.13). É importante sublinhar que a visão de Jesus terrestre e o Cristo ressurreto são fatores importantes na ideia da ceia. A celebração da ceia na igreja surgiu de todos estes fatores.

  1. A ceia como chamado a comunhão

 e a missão da Igreja.

De tudo que foi dito até agora não podemos deixar de apontar pelo menos um significado, e sua implicação para a vida do cristão. Na celebração da ceia se enfatiza a vida, obra e a presença do Cristo, mas também aproxima a todos nós, igualmente um dos outros, tendo em vista que comemos do mesmo pão, tomamos do mesmo vinho e fazemos a mesma confissão de fé e esperança. Com o Senhor da ceia é formado um só corpo, o de Cristo e é indigno e perigoso participar da ceia sem discerni-lo. “Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor. ” (1 Coríntios 11:29).  Sendo assim, podemos entender que na ceia do Senhor temos um chamado a romper com fronteiras, superar as indiferenças, derrubar os muros que construímos entre nós, quer seja social, político, ideológico, denominacional, idade, racial, pois, diante do senhor todos pecaram e destituídos estão de sua glória, acolhidos somente por sua graça. (Rm 3:23). Portanto urgente e necessário é que os discípulos entrem imediatamente em concordância com a sabedoria e o desejo do Cristo expressado em oração: “Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. ” João 17:21.

A ceia da comunhão aponta para uma espiritualidade que não aliena, mas que gera qualidade de vida expressada na unidade, igualdade, justiça e amor.  Logo ela também tem um caráter missionário, pois nos inspira, vocaciona, desafia a lutar por um mundo melhor, onde o reino da desigualdade e injustiça seja suplantado pelo reino do amor de Deus que é mais do que comida e bebida, mas justiça, paz e alegria no Espirito Santo. (Romanos 14:17). Daí é lícito entender a ceia da comunhão como instrumento a serviço do ministério da reconciliação, (2Cor 5.18-9).

 

Conclusão

A ceia do Senhor além da comunhão com o Cristo ressurreto, também é um memorial que enfatiza e atualiza a misericórdia de Deus e o perdão dos pecados, nos tornando um só corpo Nele. A Ceia é a representação litúrgica da redenção que há em Cristo Jesus. Portanto, ela é Ceia da comunhão e instrumento do ministério da reconciliação.

 

 

 

 

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