Oração

“Mas nós perseveraremos na oração e

 no ministério da palavra” (At 6:4)

“Orai cessar” 1º Ts 5:17

            Orar é manter o coração sempre aberto ao Pai. É se manter sempre voltado para ele em comunhão de amor, mesmo quando a boca se cala. Tua oração é teu próprio desejo pulsando dia e noite diante Dele. Oração é a própria vida vivida no Senhor. Mas, porém, bom, sadio e necessário é que em meio as ocupações do dia se reserve um tempo pré-estabelecido para elevar a Deus nossas mentes e vozes. Entendo que o melhor lugar de oração é o secreto, seja onde for.

  1. Conceituação da Oração

A oração é um dos elementos que caracteriza a igreja primitiva. “E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.Atos 2:42. Portanto ela é um fator constitutivo da vida da igreja.  A oração está vinculada, presente mesmo em toda atividade da Igreja. O primeiro ato que se deve ter por ser fundamental é a oração. Seja qual for o projeto que se queira realizar, damos um bom passo quando pensamos em planejamento. Acerta também quando se guarda o cuidado de fazer tudo em amor, pois seria inútil se assim não fora (1Cor 13). Mas é necessário constatar, de início, e justamente tendo em vista da ameaça que se acha exposto e da esperança que o permeia que, o trabalho deve não só iniciar com oração, mas ser manutenido e acompanhado por ela de uma maneira tão intensa, tão verdadeira e plena que todo esforço, tome sentido de oração. Trabalho reto, frutífero e proveitoso caracteriza-se pelo fato de ser realizado dentro de um ambiente que não só guarda as portas abertas para vida da Igreja e do mundo existente em seu redor, mas que possui claraboias que deixam passar a luz do alto, ou seja, janela aberta para o céu e nisso não há nada de natural que se possa realizar em tal espaço. Para fé cristã a vida e missão da Igreja não acontece apenas dentro de um círculo humano, isso seria comparado ao rato correndo dentro da gaiola. É indispensável tomada de medidas como o desligamento do círculo rotineiro, a intercalação, a celebração do dia do Senhor (dia sabático), não para acabar com os dias chamado úteis, não para que o trabalhador se subtraia de suas tarefas, mas para que se possa abrir a claraboia necessária.

Oração sem ação é vazia, ação sem oração por maior que seja o esforço é cego. O Próprio Senhor jesus procurou várias vezes lugares retirados para orar (Mt 14.23; 26.36-46; Mc 1.35; Lc 5:16). Ele orava em todo tempo inclusive durante agonia da cruz (Mt 27.46; Mc 15.34; Lc 23.34-46). O exemplo de jesus levando uma vida de oração demonstra a importância dela. Assim Ele incita e ensina aos discípulos a orarem (Mt 6.5,15) assegurando-lhes a certeza da resposta de Deus, sob a crença de que a oração é dirigida aos cuidados providencial de um Pai Onisciente e amoroso (Mt 7.7; 18.19; 21.22; Jo 15.7; 16.23-24); Ele os encoraja a serem persistentes e até importunos na oração (Lc 11.5-13; 18.1-8); e autoriza a usar o nome Dele (Jo 14.13-14;15;16); autorização essa confirmada e estimulada pelo apóstolo Paulo (Ef 5.20; Cl 3.17).

  1. Lugar e formas de oração

Encontramos na Bíblia vários exemplos que demonstram que a oração não estava apenas relacionada com culto, ou com períodos estabelecidos (Sl 55.16-17; Dn 6.10); orava-se quando e onde era preciso, dentro do “grande peixe” (Jn 2.1), sobre os montes (1Rs 16.42; Mt 14.23); no terraço da casa (At 10.9); num quarto interior (Mt 6.6); na prisão (At 16.25); na praia (At 21.5). O templo era preeminente, a “casa de oração” (Lc 18.10; 19.46; Is 56.7); e todos aqueles que não podiam juntar-se no templo com os outros adoradores, voltavam-se para ele, quando oravam (1Rs 8.30,44; 2Cr 6.34; Dn 6.10).  A oração também não está condicionada a uma só finalidade e significado. Entre tantas formas pode-se destacada algumas, mas influentes tais como a:

Oração de súplica: Muitos homens de Deus suplicaram ao senhor, desse tipo de oração podemos elencar alguns elementos básicos e isto, observando a oração de sansão (Jz 16.28). São eles: A Invocação, seguida de adoração, o pedido propriamente dito e a justificativa para tal pedido ou explicação da finalidade pelo qual se suplica.  Outros elementos importantes podem ser observados quando analisamos as orações de suplicas proferidas.

A oração de Intercessão: Esta oração tem como característica o fato do suplicante apresentar a Deus os desejos, as necessidades de outrem e implorar as bênçãos para ele. Nesta oração além dos elementos de invocação, adoração e justificação ´para o pedido, também aparece com frequência a confissão (Tg 5.16). Este tipo de oração já aparece em Abraão (Gn 20.7), e se encontra nos profetas (Am7.1-9), desde que não tivesse sido proibida (Jr 11,14). Por todo antigo testamento ( Nm 6.23-27; Jó 42.8; Is 62.6-7; Ex 32.31-32; 2Sm 24.17; 1Cr 29.18); No novo testamento podemos apontar (Mt 5.44; 1Tm 2.1-8; At 7.60; 12.1-17; Luc 13; Rm 1.9-10; 15.30-32). E cabe enfatizar que o Espirito Santo intercede por nós (Rm 8.26).

Pode-se afirmar que qualquer expressão da fé cristã inclui necessariamente oração. A oração consiste tanto em, no voltar do homem para Deus, como também um ato do próprio Deus que atrai o homem para si.

Oração de Ação de Graças:  É a oração que manifesta a gratidão, o reconhecimento. É a prestação de um culto. Pode ser percebida esse tipo de oração no início da oração de Jacó (Gn32.10-13); e da oração de Davi (2Sm 7,18-29); nesse tipo de oração também se percebe como elementos importantes a ênfase na própria indignidade em face da graça divina.

  1. Posturas durante oração

Quanto à postura durante a oração, não há uma regra pré-estabelecida. O que deve ser ressaltado é que em todas as posturas, havia uma reverencia profunda de coração, expresso nelas. Diversas são as posições encontradas, tais como o prostrar-se em terra ( Ex 12.27; 34.8; Nm 16.22; Mt 26.39); o ajoelhar-se (Dn 6.10s; Lc 22.41), o está em pé ( 1Sm 1.9-10,26; Lc 18.11); de braços estendidos com as palmas das mãos voltada para Deus ou seu santuário (Ed (.5; Sl 28.2; 1Tm 2.8). Foram expressões espontâneas que tiveram a marca da reverencia. Diante da santidade de Deus até os anjos se posicionam em reverencia (Is 61-3).

  1. Oração como acesso do homem a Deus

A oração da fé expressa a busca pela vontade de Deus, “Seja feita tua vontade aqui na terra…” (Mt 6.10).  É o desejo da fé, que a vontade de Deus revelada nas escrituras prevaleça, e subjugue todo mal. Assim podemos dizer que a oração da fé é uma resposta a revelação. Ela se fundamenta na vontade revelada de Deus e anseia por seu domínio “Venha teu reino…”. (Mt 6.10). Muitos erram ao pensar na oração como uma tentativa de mudar o coração de Deus em relação as circunstancias. Quando de fato a oração é fruto da motivação justamente porque a fé deseja o domínio divino, a manifestação do Reino de Deus que já está reconciliado com ser humano (2Cor 5.18-19). Outro erro é assimilar a oração como resignação diante dos fatos como se eles já fossem expressões da vontade amorosa divina. E isto perdendo de vista que a vida humana em muitos casos, acontece elementos que negam e estão em conflito com o propósito de Deus segundo as escrituras. A oração é sim, um meio para entender e concordar com a vontade divina. E assim, ela não muda a vontade de Deus, mas sim, ao próprio homem e as circunstâncias. Ela é a chave que abre as portas a manifestação e a efetivação do amor divino. Diante disso a compreensão da vontade divina é uma exigência na experiência de quem ora. Diante da fé se apresenta duas realidades a presença do mal, em oposição ao reino do amor. E a soberania de Deus, em relação ao mal. Por isso, “Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo, conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus. ” (Filipenses 4:6,7).

  1. Oração como ato de Deus no homem

A oração como ação de Deus no homem aponta para o fato de que na oração não só o homem é ativo. Não é somente homem falando e sim um diálogo com Deus e que por isto mesmo tem a expectativa da resposta divina. Para a fé cristã Deus ouve e responde orações. Mas com essa afirmação não está dizendo que Deus realiza os desejos humanos conforme os critérios do homem, mas que a oração nunca fica sem resposta pois, nela Deus efetiva sua vontade soberana e amorosa. O homem que ora com certa frequência acaba por expressar em si mesmo os frutos do domínio de Deus e o percebe ativo no processo histórico. Para a fé cristã Deus não apenas responde orações, ele na verdade está muito próximo e ativo, Eu nos assisti em nossas fraquezas e intercede por nós (Rm 8. 26). Nessa convicção é possível não andar ansioso por coisas alguma e aprender a confiar no amor de um Pai provedor e sensível ao drama humano. (Mt 6.25-34). 

  1. Perigos na execução da oração da fé

O primeiro perigo importante é o da resignação, uma atitude passiva e submissa diante da realidade do mal que se apresenta, e isto, por pensar que tudo que acontece é vontade de Deus. Segundo perigo, é o do egocentrismo. Não é oração da fé, manipular o sagrado. Nessa oração o homem se torna o senhor, e Deus é colocado a serviço do ego humano, ou seja, a serviço dos próprios interesses. O homem determina, toma posse, libera palavras de ordem, realiza atos “proféticos” onde Deus tem de honrar a arrogância e capricho do homem. A oração da fé é a busca da vontade divina, e não do homem. A oração da fé é a que é feita em nome de Jesus, ou seja, segundo o conteúdo do Evangelho tendo em Cristo em mente. O terceiro perigo consiste no fato de alguns erradamente relaxarem sua vida de oração, por entender que Deus sabe de todas as coisas, esquecendo de que Ele (Deus) quer efetivar sua vontade mediante oração. 

Conclusão

            Diante de tudo que foi dito nesta lição, fica fácil a compreensão de que a oração é um sinal de vida espiritual. Não há espiritualidade em quem não ora. Portanto para a fé tudo deve ser iniciado, permeado, de tal forma a ganhar sentido de oração. Na presença do Deus Santo é necessário a reverencia no coração, independente da postura ou forma de oração. Portanto os elementos básicos como invocação, adoração, justificação, confissão e ação de graças são frutos dessa reverencia que confessa a própria indignidade diante da glória divina. A oração da fé é a que busca e milita para efetivação da vontade divina e não segundo seus próprios interesses e que não é fé manipular o sagrado, mas é fé busca e concordar com a vontade soberana do Pai providencial, crendo que nenhuma oração fica sem resposta. A oração consiste tanto em, no voltar do homem para Deus, como também um ato do próprio Deus que atrai o homem para si. Avante orai.

 

 

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