Pecado

PECADO

A Bíblia nos estimula compreender que o homem deveria viver uma plena comunhão com Deus. De fato, o ser humano ao ser criado por Deus, era a própria imagem Dele (Gn 1. 27); Deus deu a ele liberdade e autoridade para cuidar e desfrutar de toda criação, (Gn 1. 28-31; 2. 15); e como fruto do seu cuidado amoroso, Deus estabeleceu limites (Gn 2. 16-17).

  1. Pecado como quebra da comunhão

O ser humano desobedeceu e se voltou contra Deus transgredindo o limite por Ele estabelecido (Gn 3. 1-6), quebrando, interrompendo, perdendo assim a comunhão com Ele. Neste sentido é que devemos entender a definição Joanina de que o pecado é a transgressão da lei (1ª Jo 3,4).  Mas não se pode ter uma visão apenas jurídica da coisa; esta palavra “lei” deve ser entendida como toda revelação de Deus, revelação esta que é expressão da sua vontade soberana. O Homem desde o início deveria reconhecer tanto a Deus, quanto à sua soberania ao contemplar a criação “revelação” (Sl 8; 19) mas não o faz. A realidade experimentada hoje é de um mundo que não respeita a soberania e os valores de Deus e que, portanto, é objeto da sua ira (Rm 1. 18-27). Pecado deve ser entendido então, como tudo aquilo que interrompe a comunhão com Deus. Comunhão que só é autêntica se levar em consideração à revelação que é expressão de sua vontade e que por isto aponta para a sua Soberania.

  1. Contra ti, só contra ti pequei.

O pecado é um conceito que deve ser necessariamente vinculado a relação com Deus. Não existe pecado que não seja contra Deus, pois até mesmo o pecado contra o próximo é na verdade pecado contra Deus. Nesse sentido é que devemos interpretar as palavras do Sl 51. 4 quando diz: “Contra ti, só contra ti pequei e fiz o que tu reprovas, de modo que justa é a tua sentença e tens razão em condenar-me”. Sabemos que este salmo foi escrito por Davi depois que o profeta Natã o repreendeu por te cometido adultério com Bate-Seba. Sendo assim o adultério de Davi (pecado contra o próximo) é considerado pecado contra Deus porque é algo reprovado por Ele. Logo, o pecado para se percebido, discernido e compreendido se faz necessário ser contrastado com a revelação de Deus, porque pela lei vem o conhecimento do pecado (Rm 3.20). Portanto levando em consideração que para a fé cristã, a relação fundamental é a comunhão com Deus respeitando a sua soberania, deve-se entender que o pecado é tudo aquilo que interrompe e quebra esta relação, provocando a separação entre Deus e o homem, e do homem com seu semelhante.

  1. Pecado como fruto da descrença

Um olhar atento verificará que o ser humano retratado em (Gn 3. 1-6) duvida do amor e do cuidado de Deus. Ele duvida da real intenção de Deus no estabelecimento de limites. Deus havia proibido comer da árvore por que queria poupá-los da morte, mas eles preferiam dar ouvidos à serpente “certamente não morrerás” (Gn 3. 3-4). A Bíblia nos ensina que: “Sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam” (Hb 11. 6). A mesma visão e compreensão são encontradas em Paulo que diz que: “tudo o que não provém da fé é pecado” (Rm 14. 23), como também nos evangelhos (Jo 8. 24; 16. 8-9). Logo, devemos apreender que a essência do pecado é a descrença. Sim, a incredulidade fez o ser humano se desviar e se revoltar contra a vontade de Deus, e com isso errar o alvo original, a saber, a comunhão.

 

  1. Pecado como fruto do egocentrismo

Já vimos que o homem foi criado para comunhão com Deus. Faz-se necessário ressaltar que para a fé cristã, nesta relação entre Deus e o homem, Deus é indubitavelmente o Senhor. A comunhão então significa viver sob o domínio de Deus. Se a descrença fez o homem se voltar contra o domínio divino; o fato de Deus não estar no domínio significa necessariamente que o homem está voltado para outro domínio, que é o do próprio homem. Ou seja, a incredulidade faz o homem se voltar para outro deus, para si mesmo. Veja que o homem sucumbiu à tentação por que quis ser igual a Deus (Gn 3.5). A comunhão com Deus é a comunhão do amor, pois “Deus é amor” (1ª Jo 4.8). Como nos ensina o apóstolo Paulo: “o amor… não procura seus próprios interesses…” (1ª Co 13. 5). O pecado no homem faz exatamente o contrário, leva o homem se voltar contra o domínio de Deus à procura de seus próprios interesses. Sendo assim, cabe esclarecer que a prevaricação, a indiferença e a rebeldia contra a vontade divina se chamam egocentrismo. O egoísmo e a descrença são oposições à vontade divina, ambos então são a mesma coisa só que vista de ângulos diferentes, segue-se daí que a natureza do pecado está no fato de que o homem procura seus próprios interesses. Como afirma São Tiago a cobiça humana depois de consumada, é que dá a luz ao pecado (Tg 1. 13-15). A Bíblia nos avisa que por causa do ego, muitos negam a sã doutrina e contratam mestres segundo seus próprios interesses (1ª Tm 4. 3-4). Podemos então definir o pecado como tudo aquilo que interrompe a comunhão com Deus; como perversão da vontade divina provocado pela descrença e o egoísmo. Quantas pessoas não reconhecem a soberania de Deus e ao contrário procuram fazer Dele servo de seus caprichos, desejos e objetivos meramente humanos? Por isso, tudo aquilo que interrompe ou quebra esta relação de comunhão, de amor entre Deus e o homem cujo Deus é o Senhor, é pecado.

 

  1. Consequências do pecado

“Eis que o homem se tornou um de nós, conhecedor do Bem e do Mal” (Gn 3. 22)

Na sentença divina o fato de conhecer o bem e o mal, para o homem foi um conhecimento destrutivo que assinou a separação, a quebra da comunhão dele com Deus. Pois com o conhecimento do bem e do mal o ser humano se entende nas suas próprias possibilidades. O conhecimento fez com que o ser humano deixasse de olhar para Deus, e passasse a enxergar a si mesmo. “E abriram-se-lhes os olhos e perceberam que estavam nus (Gn 3. 7)”. A vergonha expressada ali significa a tomada de conhecimento da perda de algo que faz parte de sua essência e de sua integridade, a inocência. No reconhecimento da impossibilidade de voltar atrás e recuperar o que se perdeu, o homem só ver uma saída: “Coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si” (Gn 3. 7c). Com as cintas eles se encobrem e se escondem de Deus e do seu semelhante. Isso representa uma admissão de culpa e simboliza para a fé, o rompimento da comunhão com Deus e o próximo. Pois a vergonha provocou o medo e a fuga de Deus, expressada na tentativa de se cobrir e se esconder entre as árvores (Gn 3. 8-10); como também provocou a rivalidade entre os semelhantes, expressada na troca de acusação (Gn 3. 11-12). Observando os relatos percebemos que como consequência do pecado o ser humano quebrou, a comunhão com Deus, com seu semelhante e com a terra (jardim). A 1ª duvida, o 1º gesto egocêntrico, a 1ª desobediência, a 1ª rebeldia, o 1º assassinato aconteceu num ambiente paradisíaco. Logo o problema não é o ambiente externo, nem ausência de avisos divinos, mas o que se instala no coração. Daí ser correta afirmação: Bem-aventurado é o homem que medita dia e noite na lei do Senhor. Salmos 1. Pensei nisso!

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